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Sobre a brevidade da existência

Quando temos 20 e poucos anos não é comum pensar na morte.
Mas eu penso...
Penso constante como e quando vou morrer, se será um infarto, AVC ou complicações de câncer.
Todos ao meu redor dizem que devo parar, e concordo com todos eles.
Eu sofro com transtorno de ansiedade, e isso me faz um mau arretado, pois interrompo minha vida quando deixo de viver, para padecer por coisas que vão acontecer ou não, já que não sabemos do que vem depois de hoje.
Eu realmente paro!
Esses dias estava pensando em escrever um livro sobre pessoas anônimas e como elas foram incríveis dentro das circunstâncias que viveram. Talvez tenha sido um meio que encontrei para não continuar no anonimato depois da minha morte, porque sei que se não temos talento nas artes ou em outros aspectos, seremos apenas pessoas comuns esquecidas 'no tempo'.
Nesse exato momento eu não queria sentir dor, não queria pensar muito (às vezes, sinto falta da ignorância), isso acelera o tempo que desejo que passe lentamente. O q…
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Eu costumava sorrir em dias de sol

Sempre achei que aos 25 eu estaria morando na minha casa, vivendo do meu trabalho. Porém, a gente se engana na vida. Eu fracassei, é a sentença que ecoa em minha mente. A sociedade cobra muito da gente, e nosso meio familiar e social está inclinado a fazer essa cobrança. Contudo a conta é muito alta e o saldo é sempre inferior ao débito. Eu vivo sendo cobrada por todos. Ninguém está insento de me fazer tal cobrança, muitas vezes é tão espontâneo que eles e elas nem percebem. Os dias vão se arrastando e depois de ser tão questionada vou desenvolvendo monstros dentro de mim que a psicologia chama de transtornos, eles são bem presentes em minha vida, estão comigo desde a minha infância. Muitas pessoas elogiam minha presença, amizade e afeto, porém, não enxergo tais coisas em mim, na maioria das vezes vejo apenas os monstros, a Aline sendo "manipulada" por eles, vejo apenas crueldade. No ápice do meu desespero, após as acusações e condenações, percebo tudo muito límpido ao meu r…

É junho

Mesmo que o poeta tenha me pedido pra deixar Junho para São João, eu não posso deixar de lado minhas crises existenciais. Elas vêem, não importa a data. Há na minha mente um silêncio sepulcral. Minha visão torrencial transforma minha existência em pequenos fragmentos de quem desejei ser, parece que meus lábios não desejam o delicioso gosto de um milho verde. Parece que depois de 25 anos ele só almeja um café amargo. Parece que tudo invade meu corpo como demônios que se alojam sem pedir licença. Muitos viajantes pararam nesta estalagem, porém nenhum quis transformá-la em lar. É difícil fazer morada em um corpo apodrecido. Não há nada nem ninguém que não tenha se aquecido em meu templo moribundo desejando tirar a pouca doçura que tinha. Todos se aproximam, todos dizem amar este lar, mas poucos o vêem assim, não passo de um ser intrigante cuja existência complexa desperta a curiosidade de mentes depravadas e cruéis. Tu és mais um ser que se aproximasse para me observar, medir, pesar, jul…

Devaneios sobre o amor

Ninguém vem ao mundo pra amar duas vezes.
Sou uma mulher moderna, com concepções progressistas, mas que não avançou muito no discurso amoroso. Eu não sei bem o que dizer sobre o amor, como ele é, como acontece. Mas é fato que eu não acredito que esse burburinho sobre afetos entre dois seres pode ser chamado de amor.  Aprendi com Jane Austen que ele ultrapassa barreiras, está para além das convenções. Shakespeare me mostrou que ele supera a própria vida. Com ela aprendi que o amor é construção. Com meus erros aprendi que ele não é suficiente se algo te faz perder a razão. Ninguém ama duas vezes, ninguém acredite nessa loucura. É demasiado romântico pensar, mas o que é que tem?  As pessoas perderam o romance, acham piegas. Os livros acadêmicos emburrecem o amor, a tecnologia o esfriou...
Parece que o amor está fora de moda. É cômico amar, é até vergonhoso para quem ama. Eu já tive minha chance no amor, e por muito quis ser o amor desse amor, mas nem tudo na vida é fácil. Às vezes sua …

Nem todo amor é suficiente

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que possamos imaginar." Parece o preâmbulo de uma história de terror, mas não irei falar sobre as criaturas que habitaram minha mente durante a adolescência e início da vida adulta. Essa breve história trata-se de uma história de traição. É ilusório pensar, quiçá acreditar que alguém possa te amar, principalmente quando já te condenaram a ser um monstro que viverá na solidão. Eu fui uma dessas tolas que acreditou no amor.
Não vim aqui dizer que sou um anjo que foi condenada injustamente. Sim, sou eu a pessoa que mais mentiu pros pais, que confessou se afetar por alguém quando não passou de um momento pueril. Sim essa sou eu, a mesma que quando abandonada procurou consolo sexual nas mais vis criaturas. Essa sou eu, moldada a imperfeição humana. Não há nada que ninguém possa fazer por mim eu não escolhi ser assim, mas permiti. Eu disse sim quando o primeiro cara me pediu um beijo, eu deixei que o segundo me traísse e o terceiro me difa…

Uma doce narrativa ofertada a mim

Aprendi com a doce e paciente voz da minha mãe - ao ler ao pé do meu ouvido, enquanto eu me enfronhava no quase adormecer e na atenção dada ao som da narrativa - que os contos, as poesias, as estórias são importantes para a imaginação. Sim! E como eram! Hoje, acredito que seja por isso que eu não gostava de contos de princesas ou qualquer narrativa que começavam com: Era uma vez, mesmo sendo uma criança, sem maturidade para consolidar um juízo de valor ou de gosto, eu acreditava que a estória era óbvia, que já teria um início, meio e fim, mesmo com esse: e assim foram felizes para sempre. Eu não me contentava, não me satisfazia, queria ir além daquelas linhas, queria ir além da voz da minha mãe, mesmo que seu olhar me acalentasse dizendo: "a estória acaba aqui e eles foram felizes, isso é o que importa".
Cresci, refutei, sonhei, imaginei... E a expectativa sobre o óbvio? Sobre o destino de ser feliz? Isso continuava a me perturbar, eu me sentia como uma navalha que deveria se…

O que devo a ti?

Aquele foi o momento em que me deparei com os conchavos sexistas e fiquei totalmente estática... Não havia reação, só um vazio afetivo que me fez desejar não ter conhecido tal ser.
Bem, é assim que começa essa breve narrativa. Houve um tempo em que eu o admirei – o admirei profundamente –, mas era uma admiração apressada, tão peculiar a uma estudante universitária com imensa imaturidade intelectual – afinal, nós mulheres somos ensinadas a admirar os homens em sua perfeita e essencialgrandeza – que anos depois foi sendo amenizada por experiências acadêmicas dolorosas e singulares.
Pois bem, o que aconteceu para tal admiração se dissipar? Foi tão claro como o céu em uma típica manhã de verão. Eu o conheci fora da academia, eu conheci sua vida. Foi bastante repentina toda a descoberta, em 10 minutos eu descobri que toda superficialidade e dissimulação da qual eu suspeitava há meses eram tão reais como as palavras que aqui escrevo. Eu fui tomada por uma narrativa dolorosa de um relacionament…